Ação destacada Filmes Notícias VEJA TAMBÉM

Lisbeth Salander está de volta aos cinemas

Por Angélica Bito

Há alguns anos, um fenômeno agitou as prateleiras de livrarias: a série Millenium. Concebida por seu autor, o sueco Stieg Larsson, para ter dez livros, foi interrompida após o terceiro com a morte precoce do escritor. A série foca na hacker Lisbeth Salander e sua relação com Mikael Blomkvist, jornalista dono da revista Millenium (que dá nome à saga) e o cara que relata na imprensa as aventuras de Lisbeth. É uma relação bastante conturbada, mas, diferentemente do filme de 2011 – Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres -, o foco aqui não é a relação de Lisbeth com o jornalista, mas sim como ela se envolve com uma perigosa gangue sueca e seus desdobramentos.


Millenium: A Garota Na Teia De Aranha, que estreia nesta quinta (7/11) nos cinemas brasileiros, traz um reboot na saga de Lisbeth Salander. Depois da morte de Larsson, a editora encomendou a David Lagercrantz a continuidade dessa série literária, graças ao sucesso dos primeiros livros. Ou seja, é um reboot de autor e também nos cinemas. Na direção, sai David Fincher – que desde 2015 já havia “pulado fora” da saga cinematográfica -; saem também Rooney Mara e Daniel Craig, que interpretaram brilhantemente a dupla Salander e Blomkvist no filme de 2011. Mas nem por isso Millenium: A Garota Na Teia De Aranha sai perdendo. Talvez por não ter um ator como Craig no papel do jornalista, a importância do personagem na trama – agora vivido pelo sueco Sverrir Gudnason – é bastante diminuída em comparação com o filme de Fincher. A trama deste reboot foca 100% em Lisbeth, interpretada por Claire Foy, a Rainha Elizabeth da série The Crown. Aqui, a atriz se distancia bastante do papel que lhe rendeu um Globo de Ouro, interpretando uma mulher forte, calejada, extremamente inteligente e, claro, traumatizada por acontecimentos da infância os quais não quero nem citar pra não estragar sua experiência no cinema. Empoderada e feminista, ela é especialista em computadores, conhecida por ser uma talentosa hacker. Mas aqui ela também tem ares de justiceira com toques de James Bond e, literalmente, tem a chance de salvar o planeta da destruição ao ser contratada para roubar um software do governo norte-americano.

Millenium: A Garota Na Teia De Aranha é dirigido pelo uruguaio Fede Alvarez, que, há cinco anos, dirigiu com sucesso o remake A Morte do Demônio. Ele também dirigiu o excelente suspense O Homem nas Trevas (2016), chegando com uma reputação interessante em Hollywood. Neste filme, ele mistura ação e suspense ao acompanhar essa nova aventura de Lisbeth, que, além de ser espertinha nos computadores e ao burlar sistemas, também é boa de briga. Ela de fato conduz feitos difíceis de se acreditar, mas quem disse que filmes de ação são 100% verossímeis? Aliás, é aí que jaz a graça do gênero de ação e Millenium: A Garota Na Teia De Aranha é um excelente filme de ação. Ao trazer uma mulher empoderada como Lisbeth no foco da trama, o filme é importantíssimos nos tempos em que vivemos atualmente. Antes de assistir ao filme, achei que sentiria falta de Rooney Mara como Lisbeth, porém Claire não deixa nada a dever no papel, muito pelo contrário. Claire Foy ARRASA como Lisbeth.


Vale citar também a fotografia do filme: assinada pelo Pedro Luque, parceiro de trabalho antigo de Alvarez e, uma curiosidade pra você: também assinou a fotografia no filme “O Silêncio do Céu”, protagonizado em 2016 por Carolina Dieckmann. A fotografia de Millenium: A Garota Na Teia De Aranha poderia é quase em preto-em-branco. Os objetos de cena e figurinos são sempre escuros, exceto quando uma importante personagem da trama está na tela – você vai saber do que estou falando quando assistir ao filme. Contrastando com a neve sempre onipresente na trama. Muitas vezes, Lisbeth aparece em ambientes quase que opressores de tão amplos, porém sempre demarcando fortemente seu lugar no mundo.

Minha dica aqui é: se você é fã de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres, guarde o filme de 2011 num lugar especial no seu coração e abra outro para Millenium: A Garota Na Teia De Aranha. No fim das contas, trata-se de uma empolgante história de ação protagonizada por uma mulher empoderada. E sabemos que estamos precisando disso nos dias de hoje, certo?

via GIPHY